Brasília A Justiça do Rio de Janeiro determinou, na noite de ontem, a prisão temporária do homem suspeito de ter acendido o rojão que matou o cinegrafista Santiago Andrade, 49. Ele foi identificado com a ajuda de Fábio Raposo, que confessou ter participado da ação e está preso desde domingo (09).
Santiago foi atingido na cabeça por um rojão disparado, na última quinta-feira, por um manifestante durante protesto contra o aumento da passagem de ônibus, que foram a R$ 3, na semana passada.
Ao deixar a delegacia na tarde de ontem, o advogado de Fábio, Jonas Tadeu, disse que tinha o nome, número de identidade e CPF do homem que acendeu o artefato. "Claro que estou visando à delação premiada do Fábio, mas acho uma bobagem ele continuar foragido. A melhor forma dele encarar isso é se entregar para colaborar com a investigação", afirmou.
No domingo, ao ser preso e levado para a delegacia, Fábio declarou em depoimento não conhecer o homem que aparece nas imagens usando calça jeans e blusa cinza, mas disse que já o tinha visto em outras manifestações. Para o perito Nelson Massini, da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) os dois rapazes agiram juntos. Fábio foi indiciado por tentativa de homicídio e crime de explosão. Pode pegar até 35 anos de detenção.
Ontem, a presidente Dilma Rousseff determinou que a Polícia Federal participe das investigações no caso do cinegrafista Santiago Andrade. "A morte cerebral do cinegrafista Santiago Andrade, anunciada hoje, revolta e entristece", acrescentou a presidente no Twitter.
Os últimos takes
Na última quinta, Santiago Andrade deixou a redação da TV Bandeirantes, no Rio, avisando à chefia: "Vai ser rápido. Farei apenas três takes", disse.
Duas horas depois, ele foi atingido na cabeça por um rojão. Com o impacto, teve afundamento craniano e perdeu parte da orelha esquerda. Por quatro horas, cirurgiões tentaram estancar a hemorragia e reduzir a pressão intracraniana, causadas pelo impacto do artefato.
Ontem, pouco antes das 12h, teve a morte cerebral declarada. Mais de 90% de seu cérebro estavam sem irrigação. A família decidiu doar seus órgãos.
Santiago deixa mulher, uma filha e três enteados. A esposa do cinegrafista, Arlita, desabafou sobre o que ocorreu com o marido. "Perdoar? Meu marido está indo embora, eles destruíram uma família". A filha, Vanessa Andrade, postou em uma mensagem no Facebook como foi a despedida do pai no hospital. "Ele estava quentinho e sereno. Éramos só nós dois, pai e filha, na despedida mais linda que eu poderia ter. E ele também se despediu", declarou.
Santi, como era conhecido pelos colegas, faria dez anos de emissora neste ano. Em nota, a Band disse que a morte de seu funcionário é "mais uma evidência de que a desordem está imperando nas ruas". A empresa prometeu acompanhar a investigação, o julgamento e a condenação do responsável pelo crime.
"A Band vai acompanhar e exigir, passo a passo, as investigações, o processo e a condenação desse assassino e de seu grupo. E, ao fazer isso, estará solidária não só com a família de Santiago Andrade. Mas com toda a família brasileira", afirmou.
Daniel Slavieiro disse que a Abert quer saber que medidas o governo vai adotar acerca do caso Foto: José Leomar
Entidades cobram ações do governo
Brasília Integrantes do Conselho de Comunicação Social do Congresso Nacional lamentaram ontem a morte do repórter cinematográfico da TV Bandeirantes Santiago Andrade. A entidade pediu que o governo crie medidas para proteger os profissionais da imprensa e os manifestantes pacíficos.
Brasília Integrantes do Conselho de Comunicação Social do Congresso Nacional lamentaram ontem a morte do repórter cinematográfico da TV Bandeirantes Santiago Andrade. A entidade pediu que o governo crie medidas para proteger os profissionais da imprensa e os manifestantes pacíficos.
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| Daniel Slavieiro disse que a Abert quer saber que medidas o governo vai adotar acerca do caso |
"O que nós queremos é que identifiquem e punam os responsáveis por essa tragédia, mas também que o governo crie e adote políticas e procedimentos necessários para garantir o trabalho dos profissionais e manifestantes que têm pacificamente demonstrado a sua insatisfação, e não desse grupo minoritário de baderneiros e arruaceiros que têm depredado o patrimônio público e restringido a atividade dos profissionais de imprensa", disse o presidente da Associação Brasileira de Rádio de Televisão (Abert), Daniel Slavieiro, ao lamentar a morte do cinegrafista.
Slavieiro informou que a Abert e outras entidades que representam empresas de comunicação solicitaram uma audiência com o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, na qual querem saber que medidas o governo pretende tomar para impedir novos casos. Os representantes das empresas querem manifestar a preocupação dos profissionais de imprensa com a escalada da violência contra eles.
O presidente da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), Celso Schröder, lembrou que a entidade já se manifestou sobre o "atentado" de quinta-feira e reafirmou que, com a morte do cinegrafista da Bandeirantes "exige do Estado brasileiro pronta reação para barrar esse tipo de violência".
De acordo com Schröder, a morte de Santiago não pode passar desapercebida, nem ser mais uma estatística na sociedade brasileira. "É uma morte completamente injustificada, não tem sentido para o jornalismo brasileiro e é uma ofensa povo brasileiro", afirmou.
Segundo Schröder, há uma mobilização para que se realize audiência pública no Congresso, com a participação dos ministros da Justiça e de Direitos Humanos, para pedir a implantação imediata de políticas públicas concretas de acompanhamento, investigação e, principalmente, de um pacto entre o Estado brasileiro, as empresas de comunicação e os jornalistas.
Profissionais da imprensa fazem atoem solidariedade
Profissionais da imprensa fazem atoem solidariedade
São Paulo Um grupo de aproximadamente 50 jornalistas e repórteres cinematográficos e fotográficos fizeram um ato ontem em homenagem ao cinegrafista da TV Bandeirantes, Santiago Andrade, e em solidariedade à família dele. O ato ocorreu na praça localizada atrás da Igreja da Candelária.
Fotógrafos e cinegrafistas colocaram as câmeras no chão. Santiago foi lembrado pelos colegas como exemplo de profissional. Os profissionais lembraram os riscos enfrentados pela categoria na cobertura de protesto de rua.
Depois do protesto na Candelária, houve uma homenagem ao cinegrafista no local onde ele foi atingido pelo rojão. Fotógrafos e cinegrafistas fizeram um círculo com as câmeras.
Black blocs
Notas publicadas ontem em páginas do Facebook dos "black blocs" do Rio e de São Paulo lamentavam a morte do cinegrafista. Juntas, as duas publicações somavam mais de 125 mil "likes" até ontem à tarde. "Estamos muito chateados com a notícia. Lamentamos demais e desejamos toda força à família, é uma perda muito difícil", publicou a página do Rio.
Já o perfil do grupo em São Paulo prestou condolências à família de Santiago. O texto também cita as mortes de operários em construções de estádios.
Fonte: Diário do Nordeste.
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