Deus não deixa trabalho sem recompensa, nem lágrimas sem consolação, dizia o carismático e sábio Padre Cícero Romão Batista, que conquistou prestígio e influência sobre a vida social, política e religiosa do Cariri. Juazeiro do Norte foi sua morada. Dali, ele emanou sua ascendência, impulsionando o desenvolvimento da cidade.Mentor e defensor do lugar, Padre Cícero fez brotar o turismo religioso em Juazeiro do Norte. O roteiro da fé é percorrido por romeiros ao longo do ano, movimentando o comércio de artigos ligados ao Padim e de artesanato local fotos: kiko silva
Após a partida de Padre Cícero, sua influência só cresceu. A fé no religioso se espalhou e Juazeiro do Norte até hoje colhe os frutos do legado do Padim Ciço. Há quem diga que essa é justamente a recompensa e consolação por sua despedida. Romeiros começaram a chegar de todos os cantos para reverenciá-lo e mais ainda depois da construção da estátua em sua homenagem no alto da Colina do Horto, em 1969.
Com tanta gente buscando Juazeiro do Norte e as bênçãos do Padim Ciço, a cidade não parou mais de crescer. Tamanha movimentação levou à conquista do título simbólico de Meca do Cariri. A fé esparramou-se ao longo dos anos, fortificou a economia e cristalizou o turismo religioso, que impulsionou novas formas de apreciação e descoberta do lugar.
Turismo de lazer, de negócios, esportivo, cultural, científico, ecoturismo ganharam espaço no destino. O Geopark Araripe, o primeiro das Américas, garante sustentação e dá vazão às diversas modalidades.
Para receber os novos visitantes, o comércio ganhou em infraestrutura e diversificação, com destaque para os segmentos de calçados, artesanato e artigos religiosos. Muitas das peças produzidas são verdadeiras obras-primas que brotam do imaginário e das mãos dos artistas juazeirenses e encantam a clientela, garantindo trabalho e renda para centenas de famílias. Os artesãos buscam inspiração nos grandes personagens da cultura local e regional, como o Padim Ciço, e nas tradições e festejos. A realidade de Juazeiro se mostra por inteiro.
O desenvolvimento da Meca do Cariri imprimiu um novo ritmo ao destino cearense, que teve aprimorada a sua infraestrutura de receptivo de visitantes com a operação de hotéis qualificados em itens como conforto, atendimento e serviços diversosHoje, a Meca do Cariri ostenta até metrô de superfície, que a liga à vizinha cidade do Crato. A rede hoteleira juazeirense modernizou-se e já conta com mais de três mil leitos em empreendimentos qualificados, com cozinha de padrão internacional. Os restaurantes não ficaram atrás. Atualmente, são cerca de 200 estabelecimentos, incluindo marcas de requinte, que oferecem variedade e qualidade no cardápio e atendimento diferenciado. A comida regional é o maior chamariz.
Outro fator a influenciar a movimentação turística e o consequente investimento em infraestrutura de lazer e entretenimento em Juazeiro do Norte foi a transformação do destino em polo universitário, hoje com 56 cursos de graduação e 62 de especialização em 10 instituições de ensino superior e mais de 20 mil estudantes matriculados. Esse público quer conhecimento, mas também exige diversão. A cidade se qualifica. Ganha quem reside e quem visita o lugar, mas ainda falta um aeroporto compatível com a demanda do destino. O atual terminal já é o sexto do Nordeste em movimento e o de maior produtividade do País.
É por Juazeiro do Norte que o caderno Tur inicia um passeio pelo Cariri cearense. O território de fé, cultura marcante e bonita por natureza quer se transformar num destino turístico conhecido em todo o País e pelo mundo afora por sua diversidade, tendo a fé como o maior apelo. A ideia do Fórum de Turismo do Cariri é realçar o lugar e seus atrativos e apresentá-lo aos viajantes como o destino Chapada do Araripe - Terra dos Kariris, onde a vida é mesmo uma viagem...
Fonte: Diário do Nordeste.
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