O coordenador nacional da ONG Movpaz, Clóvis Nunes, foi preso, ontem, pela Polícia Federal, acusado de fraudar a Campanha Nacional do Desarmamento. A PF concluiu que a ONG, que tem unidades em Fortaleza e em outras 26 cidades, lucrou ao cadastrar, no sistema que registra a entrega de armas, equipamentos artesanais (que não são indenizáveis) e outros que sequer existem. A fraude teria resultado em prejuízo de R$ 1,3 milhão para o Governo.
Clóvis foi preso em Fortaleza e levado para Feira de Santana (BA), onde está a sede da ONG e a operação foi deflagrada. Ele e o irmão, Carlos Nunes, também acusado pela fraude, e outros dois voluntários da instituição estão presos no presídio da cidade. Clóvis deve responder por peculato doloso, peculato eletrônico, formação de quadrilhas e artigos do Estatuto do Desarmamento, segundo o delegado Wal Goulart, que comandou a operação - batizada Vulcano.
Segundo Goulart, há cerca de três meses, a PF baiana foi procurada pelo departamento em Brasília para investigar uma situação suspeita: “14% de todas as armas do País estavam sendo arrecadadas em Feira de Santana. É mais arma que o arrecadado na cidade de São Paulo. Aprofundamos a investigação e detectamos que integrantes da ONG estavam fraudando a campanha”, detalha o delegado da PF.
A PF concluiu que, entre agosto de 2011 e março deste ano, de 8.820 indenizações recebidas pela ONG, “apenas 400 deveriam ter sido pagas”, conforme o delegado.
Goulart explica que, para gerar um protocolo de pagamento das armas entregues, é preciso que um agente de segurança pública receba o equipamento. Os agentes devem estar presentes nas instituições civis para o recolhimento porque eles têm uma senha que dá acesso ao sistema. “Aqui, um dos comandantes da PM entregou a senha dele para Clóvis Nunes. Ele (o PM) se aposentou e outro policial tem senha que também foi entregue a integrantes da ONG, que passaram a gerar vários pagamentos”, detalha.
De acordo com Wal Goulart, os militares foram ouvidos pela PF e são acusados por crime de negligência. Com os protocolos autorizando os pagamentos, os integrantes da ONG passaram, conforme a PF, a sacar as indenizações pelas armas - que chegam a R$ 400. A PF não divulgou os nomes dos outros dois acusados.
A Casa da Paz de Fortaleza, sede da ONG no Estado, não entrou na investigação da PF. “Já foi feito alerta para PM do Ceará verificar de que forma é feita a entrega de armas na Casa da Paz, se é policial que está lá recebendo e se estão pagando indevidamente por armas artesanais”, diz o delegado. Outras unidades da organização também serão verificadas.
Resposta
Resposta
Em nota, a unidade cearense do Movpaz informa “que não guarda qualquer relação com” a operação deflagrada pela PF na Bahia e que “não é possível emitir qualquer juízo de valor sobre os apontamentos realizados” pela polícia “haja vista que o processo não chegou ao conhecimento da entidade localizada na Capital cearense”. Além disso, o texto destaca que Clóvis Nunes “é uma pessoa íntegra”. “Não há razão para se duvidar de sua conduta, pois sempre pautou suas ações no bem à população e no desenvolvimento da cultura de paz em nosso território”, destaca a nota.
O POVO procurou o Ministério da Justiça, responsável pela Campanha Nacional do Desarmamento. Por telefone, a assessoria de comunicação recomendou que a demanda fosse enviada por e-mail. Um e-mail foi enviado, mas não foi respondido até o fechamento desta página. No fim da tarde, o ministério foi procurado novamente por telefone, mas as ligações já não foram atendidas.
Saiba mais
Duas pessoas com mandado de prisão temporária em aberto ainda eram procuradas pela Polícia Federal na tarde de ontem.
Além dos mandados de prisão cumpridos em Fortaleza e Feira de Santana, a PF atuou nas cidades de Cícero Dantas e Antas, na Bahia, cumprindo ainda 12 mandados de busca e apreensão e cinco de condução coercitiva.
Os mandados foram expedidos pela 2ª Vara Federal de Feira de Santana.
FONTE: O POVO ONLINE.
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