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sábado, 26 de outubro de 2013

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Policiais abriram caminho em engarrafamento para que mãe em trabalho de parto chegasse ao hospital
Era um sorriso largo como se, com apenas um ano, já pudesse contribuir com a missão. O sorriso foi oportuno porque ontem foi um dia de agradecer. Nos braços dos pais, Lara Maria conheceu dois homens que tiveram, por acaso e por ofício, grande importância para a sua chegada. “Nós viemos representar as pessoas que foram ajudadas nos momentos que mais precisaram”, apresentou-se o pai Carlos Roberto Pinto, 42. 

Há pouco mais de um ano, Lara resolveu nascer antes do agendado. Às 5 horas da manhã do dia 2 de outubro, Morgana Uchoa, 35, sentiu os primeiros sinais de que ela estava chegando. Saíram da Cidade dos Funcionários, onde moram, para o hospital às 7 horas. Era dia de semana, e eles se depararam com um problema de todas as manhãs: o congestionamento da BR-116. O trânsito estava parado. “A gente nem lembrou. Continuamos no carro. Não tinha o que fazer”, lembra.

Aquele dia nunca vai sair da cabeça, garante Carlos. Elas dependiam dele, e ele sabia. “Era uma situação em que eu precisava tomar uma providência para salvar a minha filha e a minha esposa”. Foi tudo tão rápido, ele diz, que não houve nem tempo para ter medo. De longe, ele avistou a viatura da Polícia Rodoviária Federal (PRF). Nela, estavam os policiais Walter Bandeira e Yuri Autran. “Eu disse que a minha mulher estava em trabalho de parto e pedi para eles me tirarem dali”. Os dois guiaram a viatura como batedor para o casal. Pelo acostamento, em zigue-zague entre os carros.

“Como pai, eu não pude deixá-los na mão”, confessa Walter. Eles foram até a avenida Aguanambi. “Depois, a gente esperou que desse tudo certo”. Morgana conta que ainda foi preciso recorrer a ruas secundárias para fugir do engarrafamento comum de todas as manhãs. “Foi tudo cronometrado. Se eles não tivessem ajudado, eu não sei se teria conseguido”. Ao chegar ao hospital, nem deu tempo de preencher as fichas. Lara já estava quase nascendo.

Serviço
Segundo Yuri, que tinha a mulher grávida de três meses na época, participar de um nascimento “ameniza” a rotina. Depois, ele avalia, ficou até pensando no que poderia ter feito de melhor, mas sabe que a ajuda foi importante. “Os órgãos públicos se distanciam tanto da sociedade que esquecem do seu objetivo real. Isso nos faz lembrar do nosso objetivo inicial, que é servir”. 

O casal elaborou uma carta de agradecimento a Yuri e Walter, além de marcar uma data para o encontro. “Eu achei que eles ficariam felizes de conhecê-la e saber o quanto são importantes para nós”, afirma Carlos. Quando Lara, a bebê que “chegou chegando”, for maior, a mãe promete, saberá da aventura que passou antes de nascer. “Ela foi até de batedor para o hospital”. Além de aprender as lições de gratidão, diz, ela vai saber da história que tem para contar.
FONTE: O POVO ONLINE.

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