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segunda-feira, 2 de setembro de 2013

Info Post
Amostra de cabelo e sangue teriam apontado uso do gás sarin. Obama pediu ao Congresso autorização para ataque
Washington. O secretário de Estado americano, John Kerry, assegurou ontem que as provas recolhidas após o ataque de 21 de agosto nas proximidades de Damasco e analisadas pelos Estados Unidos deram resultado positivo para o uso do gás sarin.

Autoridade s americanas estimam que 1.429 pessoas tenham sido mortas na Síria pelo uso de armas químicas em áreas controladas por rebeldes. A ONU contabiliza mais de 100 mil mortos desde o início dos confrontos FOTO: REUTERS
"Amostras de cabelo e de sangue deram positivo para traços de gás sarin", disse à "NBC News", explicando que as amostras foram fornecidas pelos primeiros socorristas que chegaram ao local do ataque.

O sarin causa uma série de efeitos em pessoas expostas a pequenas doses, como náusea, vômitos, dor de cabeça, dor nos olhos e diarreia. A exposição a grandes doses da substância costuma causar convulsões, perda da consciência, paralisia e insuficiência respiratória, que pode levar à morte.

"Cada dia que passa, este caso se fortalece. Sabemos que o regime ordenou este ataque. Sabemos que se preparou para ele. Sabemos de onde vieram os mísseis. Sabemos onde caíram", acrescentou à "CNN".

Kerry ainda expressou confiança de que o Congresso "vai fazer o que é certo" sobre o pedido do presidente Barack Obama a ataques militares limitados dos EUA contra a Síria.

A Casa Branca enviou, no sábado, ao Congresso um projeto de resolução para autorizar o uso da força contra o regime sírio, depois que Obama anunciou que vai buscar o apoio do Legislativo para realizar uma intervenção militar no país.

"Não acredito que meus ex-colegas no Senado e na Câmara de Representantes irão contra nossos interesses, contra a credibilidade de nosso país, as regras de proibição do uso de armas químicas", acrescentou Kerry.

Os parlamentares americanos devem discutir o assunto em sessões plenárias a partir de nove de setembro, quando voltam do recesso, de acordo com Harry Reid, líder da maioria democrata na câmara alta.

Enquanto isso navios da Marinha estão na região aguardando ordens para lançar mísseis.

No sábado, os inspetores das Nações Unidas deixaram a Síria depois de reunir amostras para verificar a veracidade do suposto ataque com armas químicas, que as autoridades norte-americanas afirmam ter matado 1.429 pessoas. As amostras serão enviadas para estudo em laboratórios a partir de hoje.

Em matéria publicada ontem no jornal francês "Le Journal du Dimanche", os serviços de inteligência da França afirmaram ter provas de que o governo sírio possui mil toneladas de armas químicas como gás mostarda, sarin e VX. O periódico ainda afirma que publicará em breve documentos que comprovam ter a Síria um dos maiores arsenais químicos do mundo.

Vítimas do confronto

Pelo menos 110.371 pessoas foram mortas na Síria desde o início da revolta contra o regime do presidente Bashar al Assad, que se transformou em uma guerra civil, de acordo com o Observatório Sírio para os Direitos Humanos (OSDH).

Em 26 de junho, o OSDH havia registrado 100.191 mortos. A ONU também estima em mais de 100.000 o número de mortos nos confrontos na Síria.

Premiê de Israel diz estar pronto

Jerusalém.
 O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, declarou ontem que Israel está "pronto para qualquer cenário", um dia após a decisão do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, de pedir ao Congresso autorização para uma ação militar na Síria.

Netanyahu disse que seus inimigos têm boas razões para não testar o poder israelense FOTO: REUTERS
"Israel está tranquilo e confiante. Os cidadãos de Israel sabem que estamos preparados para qualquer cenário", disse Netanyahu no início da reunião semanal de seu gabinete, segundo palavras transmitidas pela rádio pública.

"Nossos inimigos têm muito boas razões para não testar a nossa força, nosso poder", acrescentou o premiê.

Israel, vizinho da Síria, tem se preparado para potenciais consequências de uma possível intervenção militar estrangeira contra o regime de Damasco. O Estado judeu posicionou sistemas antimísseis no norte do país, a região mais exposta, bem como em Tel Aviv, cidade de um milhão de habitantes. Também foram distribuídas máscaras de gás para a população.

Por sua vez, a imprensa israelense criticou a decisão de Obama, descrito pelo jornal "Israel Hayom" como "presidente febril, paralisado pelo seu status de Prêmio Nobel da Paz".

"Qualquer que seja o cenário, altos funcionários israelenses consideram que os Estados Unidos perderam uma oportunidade, e que qualquer ataque futuro será ineficaz", opina o jornalista Yediot Aharonot.

"Assad esfrega as mãos, e os iranianos continuam tranquilamente a caminho da bomba atômica", acrescenta o jornal, referindo-se ao controverso programa nuclear iraniano.

Ameaça

O presidente da Comissão de Relações Exteriores do Parlamento iraniano, Allaeddine Boroujerdi, em visita a Damasco, advertiu ontem que os interesses dos EUA serão "ameaçados" se eles lançarem um ataque contra a Sírio, um aliado de Teerã.

"Espero que os Estados Unidos não realizem tal ação precipitada e irracional, dada a delicada situação na região. Se fizerem uma estupidez, nossa resposta será decisiva", declarou.

Síria irá resistir à invasão, diz Assad

Damasco.
 O presidente sírio Bashar al Assad declarou ontem que o seu país "é capaz de lidar com qualquer agressão externa", frente a uma possível intervenção militar estrangeira. O chefe de Estado sírio, citado pela agência oficial de notícias "Sana", disse que "a Síria, graças a resistência de seu povo e de seu Exército, continuará a acumular vitórias até o retorno da segurança e estabilidade ao país".

Diante da ameaça de invasão estrangeira, o presidente sírio declarou que está preparado para resistir e criticou a postura dos Estados Unidos FOTO: REUTERS
Assad fez esta primeira declaração por ocasião de um encontro com uma autoridade iraniana, segundo a "Sana". "Os grandes perdedores nesta aventura são os Estados Unidos e seus agentes na região, em primeiro lugar a entidade sionista", afirmou Assad, referindo-se a Israel.

Ontem, o vice-ministro sírio das Relações Exteriores, Fayçal Moqdad, chamou o governo americano de "confuso e indeciso" e acusou a França de ser "irresponsável" e de "apoiar organizações como a Al Qaeda".

"O presidente Barack Obama pareceu claramente indeciso, decepcionado e confuso quando discursou ontem", e completou, "ninguém pode justificar uma agressão injustificável", em referência à decisão do presidente americano de pedir a autorização do Congresso para um ataque contra a Síria.

À imprensa, o vice-chanceler sírio também acusou os "políticos franceses de enganar o povo francês e se comportar de forma irresponsável", antes de dizer que "eles falsificaram os fatos e apoiam organizações como a Al Qaeda".

Pedido de apoio

O chefe da Coalizão nacional síria, Ahmad Jarba, pediu ontem que os ministros árabes das Relações Exteriores apoiem uma intervenção militar preparada por países ocidentais contra o regime sírio, acusado de um ataque químico.

"Estou aqui hoje diante de você para fazer um apelo aos seus sentimentos de fraternidade e de humanidade, e peço o seu apoio à operação internacional contra a máquina de guerra e destruição", declarou Jarba. 


FONTE:DIÁRIO DO NORDESTE
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