O município é considerado como uma região endêmica para o barbeiro, principalmente na zona rural do Município. Este ano, foram encontrados vários focos do vetor. Mas, apenas a existência do inseto no bairro Grangeiro foi registrada pela Secretaria de Saúde. A Vigilância Epidemiológica só notifica dados referentes aos casos agudos, onde diversas pessoas são contaminadas no mesmo período.
Nos últimos 20 anos, não há informações sobre a forma aguda da doença. Apesar de serem localidades urbanas, no Lameiro, Coqueiro e Grangeiro ainda predominam os hábitos rurais. Além deste fator, a vegetação, formada por coqueiros, palmeiras e árvores de grande porte contribui para a permanência do besouro nestas áreas.
A servidora pública Manuella Maria de Brito conta que já encontrou e retirou diversos barbeiros próximos à residência. "Estamos passando por um surto de barbeiros. Agora, todos correm risco de saúde e é necessário que sejam tomadas as providências garantidas pelo Ministério da Saúde. Não é justo que nos dias de hoje, a gente ainda tenha registros de uma doença como essa", afirma.
Já o aposentado Francisco Elizaudo diz que está observando e capturando os barbeiros. Do último mês de janeiro até hoje, ele já recolheu mais de 20 besouros, sendo que quatro deles ainda estavam vivos. Todo o material encontrado foi encaminhado ao Laboratório Central de Saúde Pública do Ceará (Lacen) para a verificação, por meio de análises clínicas, da existência do protozoário presente nas fezes vetor. "Ultimamente, eu tenho solicitado à Secretaria de Saúde que envie agentes para fazer a dedetização das áreas onde o barbeiro está aparecendo. Mas, a informação que recebo é a de que não tem veneno disponível no momento. Estou angustiado e muito preocupado com o bem-estar da comunidade", disse Francisco. Com medo de estar acometido pelo vírus da doença de Chagas, o aposentado já realizou exames sanguíneos.
No sentido de combater o inseto, a Secretaria de Saúde do Município informou que irá efetuar uma busca ativa para verificar e notificar a existência do barbeiro no Grangeiro. Somente se for constatada a presença do vetor, o órgão irá fazer uma ação de dedetização. Este ano, já foram cumpridas buscas ativas e aplicação de inseticida na zona rural, mais especificamente nos Sítios Bebida Nova, Corujas e Luanda. Já na zona urbana, a ação foi executada onde houve reclamações da população. A presença do barbeiro em áreas urbanizadas é consequência do processo de desenvolvimento das cidades, principalmente, devido ao desmatamento. Geralmente, a predominância do inseto ocorre onde há vegetação que oferece condições adequadas ao seu habitat natural.
O barbeiro também é conhecido como chupão, chupança, bicudo, fincão ou procotó. Mesmo diante dos exames positivos para a espécie, os barbeiros destas localidades podem não estar infectados pelo protozoário Trypanosoma Cruzi, que é encontrado em animais como os macacos, raposas, tatus, cães e gatos. Para o coordenador de endemias da Secretaria de Saúde do Crato, Marcos Aurélio Monteiro, a presença do vetor na área urbana não caracteriza riscos para a população. "É preciso que a sociedade entenda que o fato do barbeiro estar na localidade não implica que as pessoas estejam expostas a surtos epidêmicos. O inseto pode não estar infectado", revela.
FIQUE POR DENTRO
Atenção aos sintomas após picada do inseto
A doença de Chagas é grave e pode levar à morte. Ela é transmitida pelo inseto chamado barbeiro e pode contaminar tanto pessoas como animais domésticos e outros mamíferos. Após a picada do besouro, o primeiro sinal da doença é uma marca parecida com um furúnculo. Mas também pode ocorrer a inchação da pálpebra de um olho, febre baixa e contínua, falta de apetite e mal-estar. O período de incubação do vírus é de aproximadamente dez anos. Com o agravamento do caso, a doença de Chagas pode atingir o coração, estômago, intestino e outros órgãos. O barbeiro chupa o sangue das pessoas geralmente à noite, quando elas estão dormindo. Como forma de precaução, é necessário cuidados como construir paredes que fiquem lisas e sem buracos, realizar sempre a limpeza atrás de quadros, colchões, camas, malas.
Fonte: Diário do Nordeste / Site Miséria


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