Poucos dias após a chegada dos iPads nacionais às principais lojas do País, alguns estabelecimentos de Fortaleza já começaram a receber os primeiros lotes dos tablets fabricados em solo brasileiro. No entanto, a não redução dos preços dos produtos nacionais também se confirmou nas lojas da capital cearense.Alguns estabelecimentos de Fortaleza já começaram a receber os primeiros lotes dos tablets fabricados em solo brasileiro e estão sendo vendidos pelos mesmos valores cobrados pela Apple Store na internet Foto: Reuters
A Computer Store, uma das revendedoras autorizadas da Apple em Fortaleza, recebeu o primeiro lote de iPads produzidos no Brasil na última sexta-feira. Os aparelhos nacionais - que são identificados pelas letras "BR" localizadas no final do código do produto - serão comercializados juntamente com os importados que restam no estoque. Os preços, no entanto, não foram reduzidos, nem para consumidores, nem para revendedores.
"Na realidade, os iPads feitos no Brasil têm margem de lucro menor do que os nacionalizados. Deveria, teoricamente, ter um benefício no preço, mas acho que está havendo alguma dificuldade de entender esse benefício entre a Apple e os distribuidores", afirma o diretor da Computer Store, Marcus Vinícius Meneses. Segundo ele, os novos iPads brasileiros são vendidos na loja pelo mesmo valor dos disponíveis na Apple Store, cuja faixa de preço varia entre R$ 1.549 (modelo mais básico, com 16GB de armazenamento e Wi-Fi) e R$ 2.049 (modelo com 32GB e conexões Wi-Fi e 4G).
O mesmo acontece com a segunda geração do tablet, o iPad 2, que, após a chegada da versão mais recente passou a custar entre R$ 1.299 e R$ 1.599. A redução dos preços, no entanto, não teve relação com a fabricação local dos aparelhos.
Marcus Vinícius afirma que a expectativa no mercado era de que, com o incentivo dado pelo governo federal à produção nacional dos tablets da Apple, haveria uma alteração no valor dos produtos. Entretanto, até agora, nada sinaliza para a queda de preços esperada.
Alguns estabelecimentos, ao contrário, ainda aguardam o recebimento do produto. A loja Cecomil, por exemplo, ainda não oferece os iPads "made in Brazil", mas continuam a vender a versão importada do tablet.
Negociação
A demora, segundo o gerente comercial Felipe Nogueira, deve-se às negociações entre a fabricante e a Cecomil, que também esperava a redução dos preços. "Mesmo sendo produzidos no Brasil, a gente não está vendo melhorias e benefícios positivos para as empresas e para o consumidor. Não tem previsão de redução de preço, ou pelo menos não foi passada para nós", pontua o gerente comercial.
Para Felipe Nogueira, a fabricação dos iPads em território brasileiro trará poucos benefícios aos consumidores locais. Uma das poucas vantagens diz respeito ao suporte técnico e à garantia dos produtos.
Manutenção facilitada
"Enquanto não tiver a redução no preço, a única vantagem vai ser a garantia, pois os produtos terão peças locais, produzidas no Brasil. Vai haver facilidade na manutenção", destaca o gerente comercial da Cecomil.
Já para o diretor da Computer Store, Marcus Vinícius Meneses, a princípio, uma das poucas vantagem de se ter o produto nacional será o aumento da oferta de emprego no setor da indústria, que deve ganhar mais fôlego com a nova demanda de produção dos tablets.
Uma outra seria a possibilidade de financiamento a baixo custo dos aparelhos nacionais em maiores quantidades pelo Banco Nacional de Desenvolvimento (BNDES), medida que deve ser vantajosa para empresas e universidades, por exemplo. "Pequenas e médias empresas podem usar esse benefício do financiamento. Mas, para o consumidor final, o nosso cliente, não tem nenhuma vantagem", destaca o empresário.
Efeito natural
Diante da manutenção dos preços no mesmo patamar, o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) alega que a isenção fiscal concedida aos tablets - que permite reduzir os custos de fabricação em até 30% -, irá desenvolver a indústria desses dispositivos no País e incentivar a concorrência entre as empresas, o que fará com que os preços caiam naturalmente.
Em comunicado oficial emitido no último dia 13, o MCTI informou que 36 empresas já solicitaram incentivos para a produção de tablets nacionalmente. Deste total, cerca de 17 já tiveram os projetos aprovados.
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