Rio: estátua doada por Ahmadinejad ganha apelido de 'praça dos cornos'
São Cristovão é um tradicional bairro da zona norte do Rio de Janeiro. É famoso pela feira de
tradições
nordestinas, por ser reduto vascaíno - já que o estádio de São Januário fica ali - e, desde a
ocasião da
Conferência das Nações Unidas para o Desenvolvimento Sustentável, a Rio+20, ganhou um
novo cartão postal: a
"praça dos cornos".
Às explicações: o presidente iraniano Mahmoud Ahmadinejad, um dos chefes de Estado que
vieram ao Rio de
Janeiro para a conferência, resolveu trazer na bagagem um mimo para a cidade: uma réplica
de um monumento
presente na histórica cidade de Persépolis, no Irã. Representa um grifo, animal mitológico que
é metade leão,
metade águia, sustentado por uma base de mármore.
Como se não bastasse toda a polêmica que envolve um presidente considerado por muitos
no cenário
internacional como um ditador, as orelhas dos bichos, encobertas ainda por saco plástico
preto e fitas adesivas,
assim como o restante do monumento, estão sendo confundidas com um par de chifres pelos
passantes. Não à
toa, a rotatória da avenida Pedro II, em São Cristovão, ganhou o apelido de "praça dos
cornos".
"Eles começaram a montar a coluna, e quando reparamos aquele par de chifres, veio o
apelido", explica o
comerciante Alexandre Ferreira, que trabalha numa loja de matérias esportivos bem em frente
ao polêmico
monumento. "Dizem que vai faltar espaço para tanto corno que tem aqui em São Cristovão",
brinca Raimundo
Alcântara, dono de um bar próximo.
O fato é que, além da alcunha, a rot
atória segue esperando pela inauguração oficial. O evento, que deveria ter ocorrido ainda na
Rio+20, sequer
entrou na agenda oficial de Ahmadinejad, tampouco do prefeito Eduardo Paes. A coluna com
base de mármore
segue encoberta, já que a secretaria de Conservação Pública da Prefeitura do Rio disse que
espera finalizar os
trabalhos de pavimentação da rotatória para, enfim, inaugurar a estátua. A promessa é para
daqui uma semana.
Até lá, a "praça dos cornos" vai ganhando fama. Um morador de um bairro próximo, sem se
identificar, parou
sua moto para sacar umas fotos. "Fico imaginando como é que um negócio desse veio parar
aqui em São
Cristovão", perguntou-se. "O fato é que corno é universal, tem em todo lugar", fez questão de
lembrar Carlos
Neves, dono de um pet shop em frente ao local.

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